Ainda temos muito a evoluir com a saúde bucal das nossas crianças
A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), que é um inquérito epidemiológico que avalia as condições de saúde bucal da população brasileira, realizada a cada dez anos teve sua edição mais recente iniciada em 2022, com a coleta de dados concluída em junho de 2024, mostrou que a gengivite e a cárie dentária são as doenças bucais mais comuns em crianças brasileiras, afetando diretamente a alimentação, o aprendizado e a qualidade de vida infantil.
Os resultados indicaram que, na última década, o Brasil apresentou avanços importantes na prevenção dessas doenças, embora os índices ainda sejam preocupantes, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, além de áreas do interior de estados mais desenvolvidos, como Santa Catarina, por exemplo.
A cárie dentária infantil é causada principalmente pelo acúmulo de bactérias associado ao consumo excessivo de açúcar e à higiene bucal inadequada. De acordo com o SB Brasil 2023, 53,17% das crianças de 5 anos estavam livres de cárie, enquanto em 2010 esse índice era de 46,6%, evidenciando uma melhora ao longo dos anos. Essa evolução positiva está relacionada ao maior acesso ao atendimento odontológico, ao uso do flúor e à ampliação de programas preventivos. Apesar disso, quase metade das crianças brasileiras ainda apresenta cárie dentária, e isso deve preocupar a sociedade como um todo.
A Região Sul apresentou crescimento de 40,7% no número de crianças sem cárie entre 2010 e 2023. Florianópolis registrou 30,08% de crianças com cárie não tratada, índice abaixo da média brasileira. Esses melhores resultados estão associados à maior cobertura odontológica, à presença de programas escolares preventivos, ao acesso à água fluoretada e às melhores condições socioeconômicas da população.
A gengivite infantil, por sua vez, é uma inflamação da gengiva causada pelo acúmulo de placa bacteriana. Entre os principais sintomas estão sangramento gengival, vermelhidão, inchaço e dor leve durante a escovação. Estudos brasileiros apontam prevalência de gengivite em até 75,5% das crianças avaliadas, mostrando que a doença ainda é bastante prevalente.
Os principais fatores de risco associados às doenças bucais infantis incluem consumo excessivo de açúcar, higiene bucal inadequada, baixa renda familiar, dificuldade de acesso ao dentista e falta de orientação familiar. Apesar da melhora dos índices de saúde bucal infantil no Brasil e em Santa Catarina nos últimos anos, a cárie e a gengivite continuam frequentes entre crianças, evidenciando que ainda temos muito por avançar nessa área. Por isso, a prevenção permanece fundamental, por meio da escovação correta, do uso do fio dental, da alimentação saudável, de visitas regulares ao dentista, da atenção permanente dos pais e responsáveis, da realização de programas educativos nas escolas e creches e disseminação de campanhas educativas aos pais sobre a importância da saúde bucal na primeira infância em todos os meios de comunicação, só assim conseguiremos continuar evoluindo e cuidando melhor da saúde bucal das nossas crianças.



